

O 1º de Maio não é um feriado comum — é uma data nascida na luta e no sangue da classe trabalhadora mundial. Em 1886, trabalhadores e trabalhadoras de Chicago foram às ruas exigir a jornada de oito horas diárias e foram brutalmente reprimidos pelo Estado a serviço do capital. Daquela resistência nasceu uma data que pertence à classe trabalhadora de todos os países e de todos os tempos. Para a FETRACE — Federação dos Trabalhadores, Empregados e Empregadas no Comércio e Serviços do Estado do Ceará —, fundada em 31 de agosto de 1963, esse dia carrega um significado ainda mais profundo: é o momento de reafirmar que mais de seis décadas de luta sindical no Ceará foram construídas sobre a mesma convicção dos mártires de Chicago — a de que direitos não se pedem, se conquistam através da organização coletiva da classe trabalhadora.
O 1º de Maio nos convoca, portanto, a ir além das conquistas imediatas: a luta pelo fim da escala 6×1, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pela taxação dos super-ricos e pela isenção dos que pouco ganham é, ao mesmo tempo, luta econômica e luta política. Não há separação entre defender o piso salarial do comerciário cearense e defender um projeto de sociedade mais justa — ambos fazem parte do mesmo horizonte socialista e democrático que nos orienta.
Neste 1º de Maio, a FETRACE saúda cada trabalhador e trabalhadora do comércio e serviços do Ceará e reafirma seus três compromissos fundamentais: a construção da CUT como ferramenta sindical da classe trabalhadora brasileira; o socialismo como projeto histórico que orienta estrategicamente nossa ação; e a democracia como método de organização e de relação com a base. A transformação socialista somente é possível quando a classe trabalhadora conquista a hegemonia política e cultural na sociedade — e isso se constrói no chão dos sindicatos, nas assembleias de base, nas negociações coletivas e nas ruas. Que este Dia do Trabalho renove nossas forças e nosso compromisso: enquanto houver exploração, haverá organização. Enquanto houver organização, haverá luta. E enquanto houver luta, haverá esperança.