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SP: Mãe acusa CUT após filha sair de casa por causa de briga e proibição de namoro

Mulher, que apoia grupos de direita, fez denuncia em audiência da “Escola sem partido”.

Escrito por: CUT Brasil, com informações de Ana Cláudia Martins, do Cruzeiro do Sul 

Em Sorocaba (SP), uma mãe cuja filha de 15 anos saiu de casa após uma briga em função da proibição de um namoro, resolveu acusar a CUT e uma vereadora do PT de serem responsáveis por transformar sua filha em “comunista”.

A “denúncia” foi realizada pela mulher cuja filha estuda na Escola Estadual Professora Ossis Salvestrini Mendes, que fica no Jardim Brasilândia, durante uma audiência pública ocorrida dia 9/10 na Câmara de Vereadores de Sorocaba, que tinha como pauta a discussão do projeto de lei “Escola sem partido”, que tramita no legislativo municipal.

A mulher declarou: “Já faz cerca de 30 dias que eu perdi minha filha. Ela saiu de casa dizendo que virou comunista”. Segundo seu relato, a escola onde estuda sua filha foi “dominada pela Iara Bernardi, CUT e sindicato dos trabalhadores”. Na página da mulher no Facebook constam postagens contra a “ideologia de gênero”, contra partidos de esquerda, a favor do projeto “Escola sem partido”, a favor do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) presidente em 2018, além de postagens sobre os grupos Direita São Paulo e Direita Sorocaba.

A vereadora Iara Bernardi, citada nominalmente, repudiou as acusações. “Eu, como vereadora eleita desta cidade, repudio veementemente essa afirmação, principalmente a tentativa leviana de determinados grupos de fazer uso político do fato para desviar o foco principal do debate que é a censura de professores em sala de aula”, disse a vereadora. Segundo ela, seu advogado levará o caso à Justiça, “pois são acusações infundadas e ofensivas” ao trabalho dela e ao PT.

Já a CUT informou por meio de nota que “representantes da sub-sede da CUT de Sorocaba nunca estiveram na escola estadual, mas que colocam-se à disposição desta ou de qualquer outra instituição para participar de debates sobre a luta pela democracia e pelas causas coletivas, como a do trabalho digno e por qualidade de vida na sociedade”.

Namoro proibido

A repórter Ana Cláudia Martins, do jornal Cruzeiro do Sul conversou com estudantes da mesma sala da adolescente, que negaram existir qualquer tipo de doutrinação política em sala de aula, seja por representantes de partidos, sindicatos ou por professores.

A jovem C. R. C., 15 anos, disse que tudo o que a mãe da jovem falou sobre doutrinação política na escola é mentira. “Nem a vereadora Iara e nem pessoas da CUT fazem propaganda política ou eventos na Ossis. Eu pelo menos nunca vi e também não fui chamada para participar de encontros políticos fora da escola”, disse a estudante.

Outra aluna, B. N. D., 15 anos, também afirmou que o relato da mãe na Câmara foi mentiroso. “O problema é que a mãe não aceitava o namoro da filha com um aluno daqui, que é presidente do grêmio estudantil e estava envolvido com política, mas isso não tem nada a ver com a escola”, disse.

Escola sem partido

A mãe que fez a denúncia foi convidada para participar da audiência pública pelo vereador Luís Santos, o autor do projeto em debate, sobre a “Escola sem partido”. Esse projeto prevê, entre outras coisas, que o professor não pode se aproveitar da “audiência cativa” dos alunos para promover os seus próprios interesses, opiniões ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.

Ao anunciar o relato, Santos disse que o caso serviria de alerta para os pais. A audiência pública foi transmitida ao vivo pela TV Câmara e disponibilizada no YouTube. Assim o depoimento da mãe ganhou destaque até em outras cidades por meio da internet.

Para entender o uso de “denúncias moralistas” como estratégia política de grupos de direita, leia a seguir um texto da colunista Eliane Brum no jornal El País:

Como fabricar monstros para garantir o poder em 2018:

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