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Após manifestação no Diário, jornais propõem a retomada das negociações com os jornalistas de impresso

Uma semana depois da manifestação no Diário do Nordeste contra o achatamento salarial dos jornalistas, o presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Ceará, Mauro Sales, entregou pessoalmente, na sede do Sindjorce, ofício dando conta da retomada das negociações da campanha salarial dos profissionais de impresso, interrompidas pelos patrões no dia 12 de dezembro. O ofício, datado de 30 de dezembro de 2008, informa que o sindicato patronal solicitou a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego uma nova mediação com o objetivo de sanar o impasse entre empregadores e empregados. Contraditoriamente, na mesma data, o jornal O Povo negou o acesso de dirigentes do Sindjorce à redação da empresa.

Desrespeito

O desrespeito à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) tem feito escola nas empresas jornalísticas cearenses. Depois de o jornal Diário do Nordeste ter barrado a entrada de dirigentes sindicais, impedindo-os de convidar os colegas a participar da manifestação realizada em frente à empresa no último dia 23 de dezembro, o jornal O Povo decidiu desconsiderar também a cláusula 31ª da CCT dos profissionais de jornais e revistas.

O jornal mais antigo do Estado, o mesmo que se gaba em suas páginas da prática do discurso democrático e da responsabilidade social, negou o acesso de diretores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) no último dia 30 de dezembro.

Livre acesso

A cláusula 31ª da CCT diz: "Os diretores do Sindicato Profissional terão livre acesso às redações das empresas de comunicação no Estado, mediante prévia comunicação e autorização do editor-geral ou seu substituto imediato". Comunicada verbalmente, no dia 29 de dezembro, que os dirigentes sindicais iriam ao O Povo no dia 30 à tarde, a secretaria da redação pediu que a visita fosse avisada por e-mail.

Apesar de a exigência da solicitação por escrito não estar prevista na CCT, um e-mail foi enviado pelo Sindjorce no dia 29 de dezembro. Em um momento decisivo da campanha salarial que se arrasta há quase quatro meses, foi uma surpresa para o sindicato receber, na manhã do dia 30, uma resposta negativa ao e-mail. "Não está autorizada a vinda dos dirigentes do Sindicato da presente solicitação. Eventuais solicitações devem conter um pedido com dia e hora previamente marcados", informava o texto assinado pela secretária Mirtes Santiago.

Contradição

A decisão parece contraditória principalmente se for levado em conta que, no mesmo dia 30 de dezembro, o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado do Ceará (Sindjornais) encaminhou correspondência ao Sindjorce informando ter solicitado à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) a retomada da mesa de entendimentos.

A última rodada de negociação, realizada no dia 12 de dezembro, terminou num impasse. As empresas ofereceram um percentual de 6,3% – abaixo da inflação de 7,15% acumulada nos doze meses anteriores a setembro, data-base da categoria – e não marcaram uma nova data para negociar.

Antecipação de reajuste

Logo após a manifestação realizada em frente ao Diário do Nordeste, que contou com mais de 30 profissionais da empresa, apesar das ameaças feitas pela chefia do DN, o jornal O Povo anunciou que "anteciparia", no quinto dia útil de janeiro de 2009, um reajuste de 6,3%, retroativo a setembro de 2008. A manifestação também contou com o apoio de 15 sindicatos e três centrais sindicais.

A "antecipação" do reajuste anunciada pelo O Povo é uma clara tentativa de desmobilizar a categoria e esvaziar um possível novo protesto dos jornalistas na empresa. Na paralisação do dia 10 de dezembro, houve adesão maciça dos jornalistas do O Povo. A redação ficou vazia e o trabalho parado por mais de uma hora.

Cerceamento

Só após o envio de um novo ofício ao O Povo no dia 30 de dezembro a visita de dirigentes sindicais foi autorizada para 5 de janeiro. Entretanto, mais uma vez, a empresa tentou cercear direitos dos trabalhadores, já que, no dia 5, quis impor que apenas um diretor do sindicato, previamente identificado, tivesse acesso à redação e por apenas 15 minutos.

Diante da ameaça do Sindjorce de acionar judicialmente O Povo por descumprimento da CCT, já que a cláusula 31ª não estabelece qualquer limitação de horário ou quantidade de dirigentes sindicais, o jornal O Povo autorizou a entrada dos diretores.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará

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